Um exército de “trolls” russos conseguiu ser citado mais de 80 vezes nos media tradicionais ingleses, antes de o Twitter os ter identificado e banido. A Internet Research Agency é, alegadamente, o nome desse grupo e o problema não se limita à rede social Twitter.

Uma investigação do jornal Guardian permite ter preocupações sobre como este grupo pode entrar tão facilmente nos media, e assim “ter disseminado as suas mensagens a uma mais vasta audiência do que conseguiria só no Twitter”.

Em Espanha, o Strategic Communications Centre of Excellence (StratCom) da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) alertou como as redes russas com “milhares de contas automáticas” (“bots”) nas redes sociais “focaram a sua actividade na Catalunha”, aproveitando a tentativa de independência catalã. [act.: “El Kremlin pagó a El País y a otros medios por difundir propaganda rusa hasta 2016“]

Há poucos dias, a StratCom dizia que esse tipo de “bots” eram responsáveis por quase “70% de todas as mensagens russas sobre a OTAN nos estados bálticos e Polónia”.

A “dezinformatsiya”, criada nos tempos do KGB

Num outro estudo revelado no início de Novembro, “Digital Hydra: Security Implications of False Information Online“, a StratCom analisou os impactos da desinformação nos media sociais e quais os seus efeitos para a segurança das sociedades.

A desinformação consiste na “falsidade da informação e na clara intenção de enganar. O termo foi modelado a partir de ‘dezinformatsiya’, um termo russo inicialmente criado pelo KGB para referir o uso de informação falsa ou de outra forma enganadora que é fornecida de propósito a audiências seleccionadas para influenciar o seu comportamento”, diz o centro da OTAN.

No sentido de diminuir este tipo de acções nos EUA, a Harvard Kennedy School editou um “Cybersecurity Campaign Playbook“, trabalho que visa garantir uma “informação mais segura [perante] adversários que pretendam atacar” as campanhas partidárias.

As cinco principais recomendações passam por uma maior atenção à cibersegurança, usar serviços na cloud, autenticação de dois factores em todos os acessos a contas importantes, ter “passwords” mais fortes e, por fim, ter um plano de contingência em caso de ataque.