O assunto é pouco debatido em Portugal mas porque não podem ou devem os agentes da autoridade em actividade pública usar videocâmaras portáteis no seu período de trabalho?

Na última polémica sobre agentes da PSP envolvidos no caso de morte derivado de uma fuga em automóvel, a gravação em vídeo poderia mostrar o que realmente sucedeu.

Além das questões orçamentais e de privacidade dos próprios agentes (as câmaras têm de ser desligadas em certos momentos, por razões fisiológicas, por exemplo), o seu uso permitia resolver várias questões que passam sempre pelo que dizem os agentes ou os detidos.

Actualmente, é possível ter técnicas que até gerem o ruído ambiente, por forma a garantir a fiabilidade do que os agentes dizem num cenário de (potencial) crime.

A adopção destas técnicas deve ser feita com alguma precaução. Num trabalho de 2014, “Implementing a Body-Worn Camera Program: Recommendations and Lessons Learned“, salienta-se como as polícias que adoptam este tipo de tecnologia devem ter em atenção que será difícil reverter a decisão “porque o público vai esperar ter acesso aos registos em vídeo”.

Há ainda uma outra questão, sobre quem tem acesso às imagens destas videocâmaras. Nos EUA, descobriu-se que uma firma chinesa (com distribuidores também em Portugal) fornecia estas pequenas videocâmaras a bases militares, embaixadas, para vigilância em ruas e em lares.