Quem tem os cabos vai controlar os conteúdos?

O novo presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), João Cadete de Matos, alertou esta semana para a “elevada prioridade” na substituição dos cabos submarinos que ligam Portugal continental e as ilhas dos Açores e da Madeira.

Há uma “necessidade de decisão a breve prazo”, com um “tempo de implementação” de dois a três anos e um custo de 75 milhões de euros.

Os actuais cabos “estão a atingir dentro de poucos anos a sua longevidade e, portanto, necessitam de ser substituídos”, disse. Não se trata de um “um problema das regiões” mas de “coesão nacional”.

Perante o enorme investimento que empresas como a Google, o Facebook, a Microsoft ou a Amazon estão a efectuar neste domínio, a questão que se coloca é se – à semelhança das redes de televisão por cabo – quem tiver o controlo dos cabos físicos poderá deter uma posição dominante em termos da qualidade e controlo na distribuição dos acessos e conteúdos.

Esta “privatização dos oceanos” relativamente às telecomunicações tem ainda vantagens económicas para quem investe nos cabos submarinos porque os pode subalugar a terceiros.

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