As notícias sucedem-se com especialistas a tentarem demonstrar como o uso dos dispositivos móveis pode ser pernicioso para as crianças e adolescentes. Três exemplos?

1) “Uso de smartphones desde a infância causa atrasos na fala e na escrita“;

2) “Facebook and Twitter ‘harm young people’s mental health’“;

3) “6 Ways Social Media Affects Our Mental Health“.

O que falta nestas notícias é, normalmente, o contraditório. Um estudo recente demonstra que o facto de os jovens passarem mais tempo nos media sociais não está relacionado com uma saúde mental mais fragilizada.

“Como as pessoas usam os media sociais é mais importante do que o tempo que gastam com eles”, explicam investigadores norte-americanos no texto “Social Media Use and Mental Health among Young Adults“, publicado na revista científica “Psychiatry Quarterly”.

“Até agora não há prova que suporte o ponto de vista de que a quantidade de tempo gasto nos media sociais afecta a saúde mental em jovens”, diz Chloe Berryman, da universidade de Central Florida (EUA) e autora principal do trabalho que entrevistou 467 jovens.

Apesar de não recusar que certos comportamentos desse tipo possam ocorrer, ela propõe uma análise aos indivíduos e não assumir que é a tecnologia que está a criar “problemas sócio-pessoais”. E recorda como o mesmo tipo de crítica ocorreu antes com os videojogos, livros de banda desenhada ou a música rock.

Pelo contrário, ela aponta como até o fenómeno de “vaguebooking” pode estar mais ligado à solidão e a tendências suicidas, pelo que a sua expressão nos media sociais pode ajudar como sinal para prever essas tendências, ser “um grito de ajuda” para pessoas com problemas pré-existentes de saúde mental.