Empresas como a IBM estão a abandonar o modelo em teletrabalho de terem funcionários a trabalhar desde casa ou em centros de escritórios locais.

Apesar da poupança de custos (menor aluguer de espaço, consumos eléctricos, de telecomunicações e outros), essas empresas consideram agora ser mais lucrativo tê-los juntos num mesmo espaço.

Nos EUA, apenas 2,8% afirma trabalhar em casa “pelo menos metade do tempo” laboral e, desde 1980, o tráfego diário para o local de trabalho aumentou cerca de 20% – apesar de haver Internet e telemóveis.

Uma razão para esta mudança pode estar no aumento da produtividade nas tarefas complexas quando se está em grupo, mas outras razões estão presentes, como a necessidade do empregador “monitorizar e incentivar os trabalhadores”.

Estes podem igualmente aceder mais facilmente a propostas de trabalho nas empresas sedeadas em grandes urbes quando sabem que a automação tem maior impacto nas pequenas cidades.

Perante este cenário, as cidades estão a tentar preparar-se para conseguirem ter cidades mais sustentáveis [e mais seguras para os peões], acompanhando as tendências e os estudos da indústria.

Se o ponto de inflexão para a adopção sem subsidiação dos carros electrificados (podem não ser eléctricos) só deverá ocorrer entre 2025 e 2030, a partilha desse tipo de carros ou a sua generalização em táxis e transportes públicos poderá acontecer antes.

Margaret Tatcher considerava falhado qualquer homem acima dos 26 anos que andasse de autocarro público mas essa visão está a ser substituída pela economia da partilha rodoviária ou do fomento para melhores transportes públicos, nomeadamente menos poluidores, quando se antecipa que a temperatura nas cidades deverá aumentar.

Carros autónomos ou alugados?
Em 2015, a OCDE escolheu Lisboa para um estudo sobre dois conceitos de carros autónomos.

Enquanto o “TaxiBot” permitia a partilha simultânea por vários passageiros, o “AutoVot” apanhava e largava passageiros de forma individual e sequencial.

Os resultados mostraram que no primeiro caso era possível retirar nove em 10 carros das ruas numa cidade de média dimensão, enquanto os “AutoVots” conseguiam evitar oito numa dezena de veículos. E isto apesar de se aumentarem os quilómetros percorridos na cidade.

Entre outras, uma desvantagem do sistema era a diminuição do espaço de parqueamento necessário que, estando este espaço entregue a uma empresa municipal, teria um impacto negativo nas suas receitas.

Mas outras alternativas parecem não estar a funcionar. Apesar do alegado crescimento de empresas como a Uber ou a Lyft, estas ainda não alteram o paradigma de circulação rodoviária urbano nem retiram carros das cidades.

No caso do “car sharing”, investigadores portugueses que desenvolveram uma aplicação de análise e escolha – também nos preços – entre diferentes serviços acreditam que as cidades têm a ganhar com este modelo ao nível do impacto na redução da poluição e na mobilidade (menos veículos em circulação, melhor uso do espaço público). Outros investigadores nacionais proporcionam uma análise de como os veículos parqueados podem ajudar na gestão do tráfego urbano.

Muitas propostas mas poucas adopções actuais
Nos transportes públicos, um estudo da Taxi & Limousine Commission de Nova Iorque (EUA) mostrava em 2013 como a liderança municipal pretendia conseguir que um terço dos táxis a circular na cidade fosse eléctrico. O estudo apontava a necessidade de ter um bom sistema de carregadores de baterias automóveis para ter sucesso. Um trabalho mais recente mostra que esta opção pode até ser benéfica em termos financeiros para os seus proprietários.

A verdade é que as cidades estão a lidar com novas e variadas propostas para a optimização dos circuitos rodoviários e potencial diminuição de veículos no espaço urbano, desde a análise do tráfego humano nos telemóveis para uma optimização dos transportes públicos à partilha de bicicletas ou às frotas de distribuição de correio (embora seja melhor usar sete veículos autónomos seguidos do que apenas um…).

Act.: para perceber o impacto das deslocações entre lar e local de trabalho nas chamadas “mega-regiões” dos EUA, este “Commuters and Computers: Mapping U.S. Megaregions” explica a relação das ligações urbanas e o seu impacto económico.