O Collins Dictionary considerou esta quinta-feira o termo “fake news” como sendo a “Word of the Year“, acrescentando que perante a forma como o mundo noticioso se move, “a democracia, como a conhecemos, terminou. A propaganda é rei”.

O termo ressurgiu em força desde que Donald Trump se candidatou à presidência dos EUA mas este tipo de estratégia existe há muito. Um exemplo recente, noutro campo político, mostra como Barack Obama aprovou em Março de 2016 a transformação de uma agência de contra-terrorismo numa “central de propaganda” internacional a favor dos EUA.

O Global Engagement Center pode “recolher notícias e mensagens dos media sociais críticas do governo dos EUA e disseminar propaganda anti-americana“.

Em paralelo, o ecossistema das “fake news” vive e é rentável em termos comerciais, com o apoio de mais de 640 marcas (dados de Agosto passado).

A investigação sobre este fenómeno também aponta várias pistas sobre como lidar com ele. Recentemente, investigadores conseguiram provar como “bots” sociais disseminam este tipo de informação falsa, como ela é relativamente fácil de detectar (de forma automática) no Facebook apenas pelo perfil de quem faz “gostos”, também pela análise do “texto num artigo, a resposta do utilizador que recebe e pelos utilizadores que a promovem” ou simplesmente pelo tipo de título da “notícia“.

Apesar destas linhas de acção, constata-se igualmente a dificuldade em ter sistemas automatizados fiáveis, opondo-os a um trabalho manual de enorme intensidade e elevado custo – quando estamos perante 10% de contas falsas no Facebook e Mark Zuckerberg antecipa que o investimento “para proteger a nossa comunidade” terá impactos futuros nos lucros da empresa.

Soluções, procuram-se
Tudo isto levanta novas questões aos investigadores, como se percebe neste “The Fake News Spreading Plague: Was it Preventable?

Nesse sentido, e também para criar uma estrutura consolidada de conceitos, o Conselho da Europa revelou há dias o relatório “Information Disorder: Toward an interdisciplinary framework for research and policymaking“.

Este guia visa “sintetizar” todo um conjunto de ideias que têm circulado nas discussões sobre as “fake news”, consolidando os aspectos teóricos e práticos (há uma lista de experiências internacionais no âmbito do “fact checking”) com um conjunto de 35 recomendações para diversos intervenientes deste ecossistema – incluindo empresas tecnológicas, empresas de comunicação social ou até ministérios da educação.

Essas 35 medidas são as seguintes (em inglês e cada uma delas é desenvolvida em mais detalhe no relatório):
Empresas tecnológicas
1. Create an international advisory council.
2. Provide researchers with the data related to initiatives aimed at improving the quality of information.
3. Provide transparent criteria for any algorithmic changes that down-rank content.
4. Work collaboratively.
5. Highlight contextual details and build visual indicators.
6. Eliminate financial incentives.
7. Crack down on computational amplification.
8. Adequately moderate non-English content.
9. Pay attention to audio/visual forms of mis- and dis-information.
10. Provide metadata to trusted partners.
11. Build fact-checking and verification tools.
12. Build ‘authenticity engines’.
13. Work on solutions specifically aimed at minimising the impact of filter bubbles.

Governos nacionais
1. Commission research to map information disorder.
2. Regulate ad networks.
3. Require transparency around Facebook ads.
4. Support public service media organisations and local news outlets.
5. Roll out advanced cyber-security training.
6. Enforce minimum levels of public service news on to the platforms.

Empresas de media
1. Collaborate.
2. Agree policies on strategic silence.
3. Ensure strong ethical standards across all media.
4. Debunk sources as well as content.
5. Produce more segments and features about critical information consumption.
6. Tell stories about the scale and threat posed by information disorder.
7. Focus on improving the quality of headlines.
8. Don’t disseminate fabricated content.

Sociedade civil
1. Educate the public about the threat of information disorder.
2. Act as honest brokers.

Ministérios da educação
1. Work internationally to create a standardized news literacy curriculum.
2. Work with libraries.
3. Update journalism school curricula.

Fundações doadoras
1. Provide support for testing solutions.
2. Support technological solutions.
3. Support programs teaching people critical research and information skills.