“Estamos no meio de uma segunda Renascença”, com uma mudança mais rápida, globalizada e interdependente. “A história diz-nos que será disruptiva”, com “imensos benefícios” mas também “muito desestabilizadora”, pelo que “devemos esperar mais extremismo e o aumento potencial de riscos catastróficos”.

As palavras de Ian Goldin notam que se a Internet ajudou à conectividade e inovação, trouxe igualmente problemas como o “malware, cibercrime e o sacrifício da privacidade”. Ou a morte nas estradas pelo uso de smartphones, não contabilizadas nas estatísticas oficiais.

No mesmo sentido, Tristan Harris considera como milhões de pessoas que usam os telemóveis ou as redes sociais estão sujeitos a estas “armas de manipulação maciças”.

“É tão invisível o que nos fazemos”, diz. “É como uma crise de saúde pública. É como os cigarros, excepto porque como temos muitos benefícios, as pessoas vêem e admitem a erosão do pensamento humano que ocorre em simultâneo”.

“A tensão entre o sucesso individual e o colapso colectivo está em crescendo”, diz Goldin, numa época em que “os nossos políticos e as nossas instituições estão fechados em modelos passados” e desactualizados, e quando a sociedade está a ser afectada “radicalmente” por áreas científicas como “a nanotecnologia e a ciência dos materiais, a realidade aumentada e virtual, a impressão 3D”, entre outras.

Apelando ao envolvimento dos cientistas, para não serem “ultrapassados pelos políticos”, Goldin alerta que “na primeira Renascença, os extremistas ganharam; a razão e a prova não prevaleceram”. Agora, “o conhecimento e o questionamento devem encontrar uma forma de ganhar ao preconceito e ignorância. Os cientistas sabem que nunca podem avançar através do isolacionismo ou da ignorância. Nem as nossas sociedades”.